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“Estude a si mesmo, observando que o autoconhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz.” André Luiz

Maternidade

Enviado em 24 de novembro de 2015 | No programa: Pensamento e Vida | Escrito por Antonio Carlos Tarquinio | Publicado por Juliana Chagas

Mulher abraçando cachorro

Era por volta das onze da noite.

Alguns dias antes, a mais velha, a veterinária havia dado um chilique porque não tínhamos decidido, até então, realizar o ultrassom para ver como estavam os filhotes de nossa amada boxer, a Agatha. Diante do faniquito da “doutora” fomos imediatamente.

Ficamos sabendo que os nascituros estavam a caminho. Disse o médico veterinário: “pela posição deles é questão de dia ou horas”. Então perguntei: “Deles?” E ele me respondeu: “no mínimo uns oito, mas podem ser mais…”.

Volvemos com a Agatha para nossa vivenda e tornamos a tocar a vida.

Marinheiro de primeira viagem observei sem notar, sem dar a devida importância que o órgão genital da Agatha adquirira de repente uma coloração esverdeada. Mas, como se levantou foi para o quintal e retornou logo em seguida, imaginei que tivesse ido fazer xixi.

Hoje sabemos que ela também se enganou imaginando o mesmo que eu imaginei.

Ao sair para o quintal a fim de pegar uma toalha pendurada no varal a chiliquenta ouviu o que pensou ser um choro. Ao ir verificar, se deparou com o primogênito onde sua mãe inocentemente o deixara, pensando haver feito apenas xixi. (digo inocentemente porque foi uma mãe muito dedicada à sua cria).

Já viu né? O cara era taludo. Fortão. A emoção foi geral. Apresentado à mãe esta imediatamente passou a limpá-lo. Contudo, num espaço de poucos minutos era outro que chegava, e na medida em que vinham chegando, os intervalos entre um e outro nascimento aumentavam, até que aconteceu o inesperado.

Um dos filhotes apresentou problema e parecia estar sufocando. Num passe de mágica desapareceu a filha que sob o olhar do pai brincalhão teve sua real preocupação de médica classificada como um faniquito.

A veterinária entrou em ação e após várias tentativas de desobstrução das vias respiratórias do coitadinho sem obter sucesso, lançou mão da respiração boca a boca.

Nesse momento diante do quadro que se descortinou à minha visão não consegui conter a emoção e desandei a chorar…

A repreensão não tardou, “você está aqui para ajudar ou para chorar?”

Era a médica que falava.

Para onde havia ido minha filha?

Tratei imediatamente de me recompor, respirei fundo, limpei as lágrimas do rosto, e outros filhotes continuaram a chegar até às duas da tarde do outro dia…

 

Foto ilustrativa: http://www.freeimages.com/

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