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“Estude a si mesmo, observando que o autoconhecimento traz humildade e sem humildade é impossível ser feliz.” André Luiz

O Aborto à luz da Doutrina Espírita

Enviado em 5 de outubro de 2016 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Isadino dos Santos | Publicado por Juliana Chagas

Pezinho de bebê saindo do cobertorDeus, ao criar o ser humano determinou, através de suas sábias e justas Leis, que a existência do homem fosse reconhecida como tal e, com esse reconhecimento, o seu direito inviolável à vida. Diante disso, é de se concluir que se lhes foi confiado o nobre encargo de preservar a vida, todos deveriam protege-la com o máximo cuidado desde a concepção. Entretanto, o que notamos é que, desde os primórdios, e durante muitos séculos, o mundo vem sendo palco de verdadeira e arbitrária manipulação por parte de alguns no que diz respeito às Leis Divinas.

Não obstante os ensinamentos cristãos, tais manipuladores, movidos pelo egoísmo, pelo orgulho, pela ambição sem limites, e pela dureza de coração, na busca de suas satisfações acabaram deixando o instinto animal prevalecer sobre o lado espiritual, assumindo diversos tipos de atitudes tendo como objetivo principal a eliminação de vidas, destruindo de maneira abusiva o seu próprio semelhante.

Diante disso, podemos afirmar que não se trata de fatos isolados, e sim, mundiais, já que em todas as épocas, e em todos os povos, a realidade histórica nos tem revelado esse tipo de acontecimento onde alguns, numa demonstração de indiferença social e espiritual, sempre valorizaram os bens materiais em detrimento ao valor mais profundo que é a vida, utilizando métodos cruéis, vis e infames, como a pena de morte, eutanásia, chacinas e outros.

Dentre essas modalidades de destruição abusiva do ser humano, que vem sendo praticada desde épocas remotas, uma que também não é nenhuma novidade, pois se fez presente em todas as etapas evolutivas do nosso planeta, é a prática do abortamento, onde milhares de crianças tem sido eliminadas sem sequer chegar a ver a luz do sol.

A interrupção voluntária de uma gravidez, pelas consequências advindas de sua prática, além de se constituir em uma covarde agressão à criatura humana, e por tratar-se, também, de um verdadeiro atentado contra a vida de um ser que ainda não pode se defender, sempre foi vista e considerada pelas pessoas de bom senso, como sendo um dos crimes mais hediondos que o ser humano pode cometer, portanto carecedor de medidas preventivas e repressivas.

A humanidade até poderia ser regida apenas pelas leis naturais, porém, levando-se em conta que, durante todo o seu percurso evolutivo os homens sempre estiveram mergulhados no orgulho e na vaidade, e considerando que não compreendiam, ou não se dispunham a obedecer àquelas Leis Divinas, foi preciso criar normas determinantes das diretrizes de comportamento, nos diversos ramos da atividade humana, que viessem disciplinar e frear todo tipo de abuso, determinando sanções pela sua não observância, e, cuja punição pudesse levar a criatura envolvida em atitudes negativas ao caminho do bem, tudo isso objetivando a preservação da sociedade como um todo.

Tanto é verdade que no ano 200 da era cristã, a punição pelo abortamento já era aplicada, e, muito embora tal medida, até então, não ter como escopo preservar a vida, e sim defender a honra do marido, visto que, o seu alvo exclusivo era a mulher casada, o primeiro passo já estava dado.

Já na Idade Média, com a ligação da Igreja e o Estado, mais um passo foi dado, pois, mesmo não sendo em defesa da vida, mas, pelo fato de sua prática impedir que se ministrasse o sacramento do batismo, esse tipo de delito, continuou a ser punido. Diante da gravidade desse crime, a Lei Penal Brasileira deu o passo definitivo quando, nos artigos 124/127 do Código Penal, classificou o abortamento como um dos atentados contra a vida, definiu suas modalidades e determinou as respectivas penas pela sua prática, cuja regra, apesar de contrariada por alguns, vigora até os dias atuais.

Entretanto, existe atualmente na Câmara dos Deputados, um projeto de lei objetivando a sua revogação sob a justificativa, entre outras, de que a opção – ou não – pela gravidez deve ser legalmente garantida a todas as mulheres, devendo o Estado fornecer as condições necessárias para que os serviços de saúde possam prestar atendimento àquelas que necessitam, ou optem por interrompê-la, já que o abortamento é responsável pelo grande número de internações hospitalares e da morte de mulheres, as quais, mesmo na ilegalidade, realizam o procedimento às ocultas, e, cuja clandestinidade assegura a existência de clínicas particulares onde os serviços não são fiscalizados, o que gera a impossibilidade de controle por parte das autoridades competentes.

Tal medida não parece justa, pois se já não bastasse a precariedade dos serviços de saúde no Brasil, nesse caso o Estado estaria usando hospitais públicos, criando equipes e gastando material com procedimentos que poderiam ser evitados, e tomando o lugar de atendimentos e cirurgias de fato necessárias.

Por outro lado, se a finalidade desse projeto é proteger a saúde da mulher, como alegam, é bom lembrar que uma equipe de especialistas da Universidade de Oslo, na Noruega, realizou estudos sobre o estado emocional daquelas que sofreram abortamento natural e das que o realizaram por opção, cujo resultado comprovou que nos dois casos todas apresentaram depressão e ansiedade durante os primeiros seis meses da perda do bebê, entretanto, aquelas cujo procedimento foi realizado de forma induzida, tiveram um efeito muito mais duradouro, podendo atingir a marca de cinco anos, e que poderia levar algumas delas às raias da loucura e até mesmo ao suicídio, pois, tais reações emocionais proporciona sentimento de culpa, vergonha, desajuste das energias psicossomáticas, esterilidade, infecções genitais crônicas e muitas outras enfermidades  no aparelho reprodutor. Importa salientar que na Inglaterra, país considerado como de primeiro mundo, e onde a interrupção da gravidez é liberada, 50% das mortes se deve ao abortamento provocado.

Diante disso, conclui-se que as manobras abortivas não solucionam o problema, ao contrário, geram outros com consequências mais graves. Portanto, descriminalizar a prática abortiva sob a justificativa de defender a saúde e a vida da mulher não procede. Seria muito mais inteligente se tentassem suprimir o efeito, que é o abortamento, atacando a causa, no caso, a gravidez inconsequente.

Além disso, em uma palestra realizada em Madri, capital da Espanha, um ginecologista afirmou que a realização do abortamento causa transtornos mentais não só aos pacientes, como também àqueles que o executam, pois, alguns médicos, depois de um certo tempo envolvidos nas manobras abortivas, passaram a sofrer de insônia, outros terem pesadelos durante a noite e acordarem suados  e gritando, falando de sangue e de corpos de crianças destroçados; outros passaram a beber demasiadamente e usar drogas e, em razão do péssimo estado psicológico, tiveram que receber atendimentos de especialistas em desordens mentais.

Disse, também, aquele palestrante, que algumas enfermeiras, em decorrência, se tornaram alcoólatras, e a grande maioria, foi afetada por sérias perturbações mentais, o que as obrigou a abandonar aquela nobre e sublime profissão.

Alguns daqueles que são defensores da descriminalização da prática abortiva, numa cabal demonstração de desconhecimento religioso, alegam que as crenças e as convicções preponderam sobre a razão, e, por isso, o seu principal inimigo é o preconceito e a negação hipócrita da realidade. Tentam, ainda, justificar suas ideias, alegando que o embate não é só em função do direito – ou não – de abortar, mas, a todo assunto que perpasse os direitos reprodutivos, como o uso de preservativos, contra concepção de emergência, ou pílula do dia seguinte, mesmo para evitar a gravidez em caso de violência sexual, ou até casos de anomalias fetais incompatíveis com a vida.

Outros, chegam ao absurdo de afirmarem que, diante da situação caótica em que se encontra o país, em razão da violência desenfreada e do alto índice de criminalidade, a culpa de tanta arbitrariedade é o nascimento de crianças em comunidades pobres, ou em favelas, cuja vida desregrada as tem levado para o mundo do crime, apregoando, dessa forma, a descriminalização da prática abortiva como sendo o meio preventivo mais eficaz para conter a delinquência, como se a miséria e a pobreza fossem sinônimos de marginalidade.

Quanto à alegação de que as religiões perpassam os direitos reprodutivos, ou que o processo religioso reprova a prevenção da gravidez, essa afirmativa não procede nem se coaduna com os ensinamentos do Espiritismo, pois ele é totalmente a favor da prescrição dos métodos de controle da natalidade que impeçam a fecundação, tais como a pílula anticoncepcional oral, o uso de preservativos, que tem, também, um fim social sanitário de prevenir o corpo físico das doenças.

Ele não veio, portanto, para se posicionar contra a Lei de Reprodução, e jamais será contrário ao processo de procriação, o que não aceita, não endossa e nunca sancionará, é a gravidez irresponsável que redundará na prática do aborto, e, consequentemente, o impedimento de um espírito vir ao mundo com uma missão definida, para se submeter a uma prova ou resgatar erros cometidos em vidas passadas.

À luz da Doutrina Espírita, o Criador, quando concedeu à mulher a faculdade sublime de emprestar o seu corpo para a procriação, determinou que isso fosse desenvolvido através do mais puro e sincero gesto de amor e carinho, visto que o corpo biológico representa um empréstimo para que ela tenha a oportunidade de utilizar-se dele para participar da obra da criação. No entanto, o que temos observado é que muitas gestações têm ocorrido em consequência de atitudes momentâneas e inconsequentes de prazeres carnais, levando a gestante a, desnecessariamente, optar pela destruição do embrião – ou feto – cujo escopo visa tão somente encobrir a vergonha da mulher atingida por uma gravidez dita indesejada ou para proteger a honra de uma família humilhada.

Porém, se a gravidez ocorrer dentro dos preceitos morais e cristãos, e se, mesmo com o acompanhamento médico representar riscos para a vida de uma gestante já portadora de enfermidade, (as quais, associadas à gravidez, possam agravar a saúde, ou levar à morte), é evidente que não haverá nenhuma falta condenável na sua interrupção. Essa afirmação pode ser comprovada na questão nº 359 de “O Livro dos Espíritos”, quando Allan Kardec indaga aos Espíritos Superiores se há crime em sacrificar a criança para salvar a vida da mãe, obtendo como resposta que, “é preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe”.

Conclui-se, portanto, que a gravidez, se necessário for, pode ser interrompida, porém, essa necessidade há de ser manifesta, caso contrário, se constituirá em um abuso inadmissível, pois, tudo que entrava a marcha da natureza é contrário a lei geral.

Em suma, o fato de a Doutrina Espírita se posicionar contra a descriminalização do aborto ocorre em razão de que, muito embora uma grande parcela da sociedade se diga religiosa, observa-se que, na prática, existe um enorme distanciamento de Deus, pois, o cumprimento das regras morais contidas nos ensinamentos de Jesus Cristo, ainda está longe do comportamento padrão das pessoas que formam os núcleos familiares. Portanto, a lei que proíbe o ser humano de utilizar-se desse método, embora sendo muito criticada, combatida e mal compreendida, é deveras salutar, não somente no ponto de vista social, mas, também, e principalmente, no que diz respeito ao aspecto moral e espiritual.

 

Foto ilustrativa: pexels.com

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