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O espiritismo e a família

Enviado em 22 de agosto de 2019 | No programa: Espiritismo e Segurança Pública | Escrito por Isadino dos Santos | Publicado por Rádio Boa Nova

Sombra de uma família de mãos dadasPara escrever sobre espiritismo e família, antes de tudo é preciso rever alguns conceitos para mostrar o quanto a dialética materialista está equivocada quando propaga que a única família que existe é a material, não havendo outra além dela.

Quando Allan Kardec codificou a Doutrina Espírita, e nos repassou os ensinamentos que havia recebido dos espíritos, foi, justamente para que, por meio de alguns deles, pudéssemos compreender, de maneira racional e lógica, que ao contrário do que pensam os materialistas, além da família material, antes dela existe, também, a família espiritual.

No livro Céu e Inferno, por exemplo, ele explica, de maneira muito clara, que existem dois mundos habitados pelos espíritos: o mundo espiritual, que é a nossa verdadeira pátria, e o mundo material, no qual vivemos temporariamente em processo de evolução. Embora o progresso espiritual seja um fenômeno individual, uns precisam dos outros, sendo assim, para que a evolução ocorra o processo evolutivo exige que todos vivam em sociedade, visto que nenhum espírito consegue progredir sozinho.

Além disso, esse processo faz outras exigências que são fundamentais para o progresso de cada um, e uma delas é a formação das famílias, pois não basta apenas viver em comunidade, é preciso criar os núcleos domésticos, e é por isso que todos nós, como espíritos e habitando provisoriamente o mundo material, nessa nossa caminhada evolutiva rumo ao progresso formamos as nossas famílias.

Na codificação, Kardec explica, também, que, de acordo com a lei de reencarnação, nenhum núcleo familiar é formado por acaso ou por coincidência. Na maioria das vezes é composto de espíritos devedores que se desajustaram em vidas passadas e que retornam àquele lar para o devido reajuste. No entanto, para que esse reajuste ocorra, apenas viver em família, também não é suficiente, é preciso que nessa convivência haja simpatia e compreensão entre seus membros, para que todos possam viver de maneira pacífica e solidária. Essas foram algumas das explicações  que Kardec nos deu a respeito da formação das famílias.

No entanto, apesar dessas explicações, mesmo não sendo materialistas, mas, por força dos costumes, toda vez que falamos, ou ouvimos falar de família a primeira ideia que nos vem à mente é daquele grupo formado pelo pai, pela mãe, pelos filhos, pelos irmãos e pelos parentes mais próximos. Esse conceito de família é assim estabelecido porque um corpo é que gera o outro corpo, ou seja; os pais geram um filho; esse filho gera um neto; o neto um bisneto; e o bisneto um tataraneto. Como estão unidos pelos laços consanguíneos, eles formam um núcleo que, no conceito geral, é chamado de família biológica. Porém, pelo fato de estarem ligados pelo sangue, que é matéria perecível, chega um momento que esses laços se rompem e aí termina o parentesco biológico. Sendo assim, a família biológica é finita, mas, isso não quer dizer que tenha menos valor, pelo contrário, muito embora seja passageira, ela é imprescindível para nossa evolução espiritual.

Já com a família espiritual isso não acontece, porque todos os espíritos foram criados por Deus, portanto, só ele é pai. Desse modo, sendo Deus o criador de todos, isso significa que um espírito não pode gerar outro, consequentemente, não pode haver filho do espírito, neto do espírito, bisneto do espírito, nem tataraneto do espírito. Essa família é formada por aqueles que estão unidos, não pelos laços de sangue, como a família biológica, mas, pela simpatia, pela afinidade moral e pela comunhão de ideias e valores, e esses laços jamais se rompem, eles se perpetuam por meio de várias e várias encarnações. Nesse conceito, portanto, a verdadeira família é, inegavelmente, a espiritual, pois, pelo fato de ser infinita, queiram ou não os materialistas, seus membros serão eternamente irmãos.

Um exemplo clássico dessa afirmativa vamos encontrar no Novo Testamento onde o Apóstolo Mateus, no capítulo 12 do seu Evangelho, conta que em certa ocasião Jesus encontrava-se reunido com várias pessoas, quando foi avisado que sua mãe e seus irmãos o estavam procurando. Como seus irmãos não lhes tinham muita simpatia, achando que estava louco, bem como o amor que sua mãe sempre demonstrou, ser simplesmente maternal, Jesus perguntou quem era sua mãe e quem eram seus irmãos, mas, como não houve resposta, ele apontou para aquelas pessoas e disse que aqueles eram seus irmãos. Naquela época o vocábulo grego “irmãos” era utilizado para designar aqueles que nasceram do mesmo útero, por isso pode parecer que quando ele assim se manifestou, estivesse renegando sua própria família, mas, isso não é verdade. Com aquelas palavras ele quis explicar que aqueles que o procuravam era a sua família biológica, já aquelas pessoas ali presentes, embora não sendo seus parentes consanguíneos, estavam ligadas a ele pelos laços de afinidade moral e pela comunhão de ideias, portanto, aquela era a sua verdadeira família.

Quando a família biológica é formada, o marido, a mulher e os filhos que virão para cumprir uma missão, ou, talvez até para suprir o restante de uma vida eventualmente interrompida anteriormente, todos irão compartilhar o mesmo espaço físico,  portanto, os pais devem recebê-los com muita compreensão para que a missão tenha êxito. Como a educação é responsabilidade dos pais, eles deverão servir de exemplo, pois até os dois anos a tendência das crianças é repetir o comportamento dos genitores, sendo assim, se desde cedo o pai ou a mãe começa a influenciá-los para o bem, eles serão pacíficos, agora, se a influência for para o mal, com o passar do tempo eles se tornarão violentos, por isso a convivência familiar nem sempre é pacífica.

E, por falar em paz, um antigo provérbio latino diz o seguinte: Se queres a paz, prepara-te para a guerra. Essa afirmativa contraria todos os preceitos do bom senso.

Ora, se queremos a paz devemos nos preparar para a paz, e não para a guerra.

Há algum tempo atrás tomamos conhecimento pela imprensa, de um fato que vem se repetindo de maneira alarmante nos Estados Unidos, onde o comércio de armas de fogo é livre. Um jovem americano munido de uma pistola feriu e matou vários alunos de um colégio e depois praticou o suicídio. Durante as investigações verificou-se que aquela arma utilizada para o crime lhe fora dada de presente no dia do seu aniversário pela sua própria mãe. Ora, uma mãe que presenteia o filho com uma arma, não o está preparando para a paz, mas sim, para a guerra.

É muito comum vermos uma mãe se revoltar contra uma professora quando seu filho é advertido, ou suspenso da escola, ameaçando reclamar contra ela na Secretaria da Educação, e até mesmo agredi-la com palavras ou fisicamente, sem ao menos procurar saber os motivos daquela punição. Com esse comportamento, além de demonstrar maior valor pela família biológica do que pela espiritual, ela está fazendo com aquele filho se ache no direito de fazer o mesmo. É por isso que vários professores têm sido vítimas de agressão por parte de alunos dentro da sala de aula.

Uma matéria publicada em uma revista espírita sobre um famoso escritor americano chamou-me a atenção e me deixou bastante intrigado. Nela, esse escritor, que é autor de vários livros, inclusive um que se tornou “best seller” intitulado Crianças índigo, afirma que as crianças nascidas a partir de 1989, são anjos que antes de encarnarem aqui na Terra, tiveram os seus genes aperfeiçoados em um outro plano mais elevado, e por isso são mais inteligentes do que as demais. Por serem espíritos mais evoluídos não podem ser contestados nem contrariados, e, em respeito ao seu livre arbítrio, devem decidir sozinhos o que devem ou o que não devem fazer.

Aquela afirmativa me pareceu uma verdadeira aberração. A imposição de limites pelos pais é fundamental para que a educação dos filhos seja eficiente. Aqueles que deixam os filhos tomar decisões sozinhos, e sem a devida orientação, estão fugindo para não assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento daqueles que estão sob a sua tutela lançando-os a própria sorte, e essa omissão poderá fazer com que, mais tarde eles se desviem do caminho do bem.

No livro S.O.S Família, psicografado por Divaldo Pereira Franco, consta uma mensagem ditada pelo espírito Joanna de Ângelis, que diz o seguinte: “Se, todavia, os teus filhos estiverem, ainda, sob a tua tutela, não creiais na validade do conceito de deixá-los ir, sem religião, sem Deus… Como lhes dá agasalho e pão, medicamento e instrução, vestuário e moedas, oferta-lhes, igualmente, o alimento espiritual, semeando no solo dos seus espíritos as estrelas da fé, que hoje ou mais tarde se transformarão na única fortuna de que disporão, ante o inevitável trânsito para o país do além-túmulo”. É claro que as crianças devem ter os seus espaços e a sua liberdade, mas, desde que essa liberdade seja com responsabilidade adquirida por meio dos ensinamentos educativos recebidos dos pais. O fato de algumas ter mais facilidade em aprender do que as outras não significa que que sejam mais evoluídas espiritualmente, pois, o  que retrata o adiantamento moral do espírito não é o progresso intelectual, e sim, a predominância do bem sobre o mal, portanto, se não receberem o alimento espiritual referido por Joanna de Ângelis, ou seja, os ensinamentos, principalmente religiosos, mesmo sendo inteligentes, mas, estando mal orientadas, poderão usar essa inteligência para praticar o mal, consequentemente, não haverá paz naquela família.

Para finalizar, eu gostaria de destacar um antigo provérbio de autoria do cientista norte americano Benjamim Franklin que diz o seguinte: Um irmão pode não ser um amigo, mas, um amigo será sempre um irmão. Nessas palavras ele faz uma distinção entre um irmão de sangue e um irmão espiritual, ou seja, ele quis dizer que um amigo fiel, mesmo não tendo nenhum vínculo consanguíneo, mas que comunga com os nossos ideais de fraternidade é mais irmão do que aquele que, apesar de estar ligado a nós pelos mesmos laços de sangue, mostra-se refratário aos nossos ideais benevolentes. Sendo assim, espero que tenha ficado devidamente comprovado que, não obstante o respeito e a dedicação que devemos dispensar às famílias materiais, a nossa verdadeira família é, sem dúvida nenhuma, a família espiritual.

Isadino José dos Santos

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