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O sofrimento dos animais

Enviado em 17 de agosto de 2016 | No programa: Espelho da Vida | Escrito por Osmar Marthi | Publicado por Juliana Chagas

Onça deitada

Esta questão já deve ter incomodado você, caro leitor, assim como a mim.

Se Deus é a Suprema Bondade, por que sofremos? E mais ainda, por que os animais sofrem? Pois nós, como espíritos, temos livre arbítrio e, portanto, respondemos por nossos atos, se cometemos atitudes distantes das Leis Divinas, nossa Consciência, onde elas estão escritas, segundo aprendemos na questão 621 de O Livro dos Espíritos, nos convida ao reajuste, e a dor, em algumas vezes, será a forma desse reajuste.

Mas, e os animais, que não tem livre arbítrio, já que como princípios espirituais que são, agem por instinto? Não tem porque responder por seus atos, não tem o que expiar como nós o temos.

Recorramos a dois grandes expoentes do Espiritismo, Léon Denis, amigo e contemporâneo de Kardec e seu continuador e Herculano Pires, filósofo, jornalista e escritor, que segundo Emmanuel foi o metro que melhor mediu Kardec.”

Ensina-nos Léon Denis em seu indispensável livro O Problema do Ser, do Destino e da Dor (FEB Editora) que “a dor é uma lei de equilíbrio e educação.” e “o sofrimento nos animais, é já um trabalho de evolução para o princípio de vida que existe neles; adquirem, por esse modo, os primeiros rudimentos de consciência e o mesmo sucede com o ser humano, em suas reencarnações sucessivas.” (item XXVI – A Dor, da Terceira Parte).

 

Herculano Pires, em comentário a esse magnífico livro de Léon Denis, nos ensina em seu extraordinário “O Mistério do Ser ante a Dor e a Morte” – (Editora Paideia), cap. II  que “sofre a pedra, sofre o vegetal, sofre o animal e sofre o homem em cada curva implacável do desenvolvimento de suas potencialidades.”

Podemos concluir dessas assertivas dos grandes escritores aqui citados e com o conhecimento que adquirimos ao estudar a Codificação que os animais experimentam o sofrimento não por expiarem algo, já que não tem essa necessidade, mas que ao experienciarem a dor estão sensibilizando-se como princípios espirituais e, portanto, evoluindo, desenvolvendo suas potencialidades, para algum dia atingirem a condição de Humanidade, como espíritos e nós, já nessa condição, experimentamos a dor como prova, expiação ou missão, mas aqui podemos lembrar que para nós, espíritos, vale dizer que a dor é necessária, porém o sofrimento é opcional.

Este, maior ou menor, dependerá da forma como entendemos a dor e a enfrentamos, se com fé, confiança e resignação ou revolta, desânimo ou descrença.

Não obstante, temos a obrigação moral de aliviar as dores de nossos semelhantes, sejam eles espíritos (homens) ou princípios espirituais (animais) na medida de nossas possibilidades. Nossos cuidados com os animais, a convivência harmoniosa entre nós e eles contribui também para seu desenvolvimento, sensibilizando-os e despertando neles, nossos irmãos de caminhada, o desabrochar de seus sentimentos.

 

Foto ilustrativa: pexels.com

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